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Os cinco erros que o separam de um networking eficaz
Julho 16, 2018

“5 Misconceptions About Networking” é o título dado por Herminia Ibarra ao artigo que publicou, no passado mês de abril, no Harvard Business Review e que servirá de base ao presente texto.
 
Uma boa rede de contactos oferece-nos um conjunto de vantagens de valor inigualável: mantém-nos informados, proporciona-nos um ambiente para a aprendizagem e permite-nos inovar. Porém, por cada pessoa que valoriza a questão de manter um número amplo e diversificado de conexões profissionais, existem muitas outras que lutam para superar a sua resistência inata à construção do network.
 
A autora descobriu, nos seus 20 anos de experiência sobre como construir e usar o network de forma eficaz, que as barreiras mais significativas superam a capacidade, ligando-se a questões de mentalidade. Depois de ouvir e de analisar os dilemas apontados por estudantes de MBA e por Executivos, Herminia concluiu que existem cinco equívocos que poderão afastá-lo dos benefícios de realizar networking:

  • Equívoco 1: O networking é uma perda de tempo. A falta de experiência com este tipo de tópicos poderá levá-lo a questionar se esta será a melhor forma de usar o seu tempo, principalmente quando as relações estabelecidas não estão diretamente relacionadas com as tarefas em mãos.
Joe, um Executivo Latino-Americano de uma empresa de renome, procura promover uma cultura de maior colaboração. Como resultado, todos os colegas que visitam o seu país solicitam uma reunião. No ano passado, encontrou-se com 60 pessoas, o que justifica a sua questão sobre se essa será a melhor forma de ocupar o seu tempo.

O ponto central está relacionado com o tipo de rede e de como a constrói. Grande parte das pessoas não faz networking de forma intencional. Normalmente respondem a pedidos e comunicam com os outros no âmbito de necessidades específicas, como aconteceu a Joe. Assim, priorize quem identificou estrategicamente como sendo importante para a sua agenda.

  • Equívoco 2: As pessoas são, ou não, naturalmente dotadas para o networking e é difícil mudar isso. Há quem acredite que o networking contraria a natureza intrínseca de um introvertido e que a capacidade inata de estabelecer relações está na génese deste tipo de tarefas.
Carol Dweck, Psicóloga da Unidade de Stanford, demonstrou que as crenças estabelecidas sobre “nature vs nurture” no que respeita atributos pessoais – como inteligência ou capacidade de liderança – possuem um impacto significativo no investimento que as pessoas fazem na aprendizagem de algo que não lhes é natural. Este tipo de pensamento advém de indivíduos com ideias fixas, que acreditam que as capacidades são essencialmente inatas. Por outro lado, há quem possua mentalidade de crescimento e, com isto, crê que as capacidades podem ser desenvolvidas.

Como foi apresentado num artigo académico realizado por Kuwabara, Hildebrand e Zou, se acreditarmos que a competência que está na base do networking pode ser desenvolvida, então estaremos mais motivados para melhorá-la e acabaremos por trabalhar mais para que tal aconteça. No final, os resultados obtidos serão mais positivos do que os de alguém com a dita mentalidade fixa.

  • Equívoco 3: As relações devem ser estabelecidas espontaneamente, entre indivíduos que gostem naturalmente uns dos outros. Este tipo de pensamento produz redes de contacto inúteis – para ambos os intervenientes – devido ao seu carácter de homogeneidade, o que cria lacunas de perceção e de tomada de decisão. É precisamente por esse motivo que devemos desenvolver uma rede de contactos profissional de forma deliberada, com uma componente intencional e que se foque na identificação de interações que sejam produtivas para ambas as partes.

  • Equívoco 4: As redes de contacto dispõem de um carácter de serviço ao próprio e de egoísmo. Há quem considere o networking manipulativo e, portanto, uma forma desonesta de obter uma vantagem, violando o princípio da meritocracia. Por outro lado, e como defende a autora, há quem o identifique como uma forma nobre de reciprocidade, através da qual se obtém valor para o próprio, para a sua equipa e para a organização na qual está incluído.

  • Equívoco 5: Os laços mais fortes que estabelecemos são os mais valiosos. A idealização de que as relações mais importantes convergem para os laços mais fortes traduz-se noutro equívoco que bloqueia a construção de uma rede mais útil. Embora as ligações estreitas e de alta confiança sejam inequivocamente relevantes, tendemos a subestimar a importância dos nossos "laços fracos" – relacionamentos com pessoas que ainda não conhecemos bem ou que não vemos com muita frequência.
Existe um conjunto relevante de pesquisas que demonstram precisamente que a inovação e a perceção estratégica fluem por esses vínculos mais fracos, a partir dos quais apreendemos novos conceitos e acedemos a informações e a recursos distantes. Assim, os ditos laços fracos – que estão presentes na periferia da rede atual, são a chave para a evolução do nosso network.


A nossa mentalidade sobre o networking afeta o tempo e o esforço que investimos no mesmo e isso impacta no retorno que obtemos desse investimento. Mas o mindset pode mudar e a única forma de compreender que o networking é um dos recursos mais importantes do seu trabalho e do seu percurso profissional é mergulhar no processo e descobrir, por si mesmo, o valor que lhe está inerente.

Leia o artigo original, aqui.