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Potencie a sua carreira
Maio 23, 2017

A carreira profissional tem várias fases. Saber antecipá-las para planeá-las é meio caminho andado para o sucesso.

Eduarda Luna Pais, Professora da AESE e Fundadora da ELPing, organizou mais uma sessão para o Agrupamento de Alumni no sentido de imprimir um estímulo aos dirigentes que queiram apostar na evolução profissional. “Potencie a sua carreira” reuniu um “conjunto de competências e de experiências vividas, reconhecidas pelo mercado”, representativas de vários setores de atividade. O encontro realizou-se na AESE, em Lisboa, no dia 11 de maio de 2017.


O que é uma carreira?

Para Margarida Barreto (MB), Diretora de Recursos Humanos da MSD durante 15 anos, “a carreira é fundamentalmente um percurso profissional que de preferência se escolhe, mas que tem a encabeçá-lo uma visão pessoal, que muitos chamam visão, outros chamam ambição, mas que é um percurso que as pessoas vão seguindo na sequência ou de preferência, acompanhado por uma visão a liderar esse percurso para as coisas decorrerem bem.
Neste percurso profissional, penso que há algumas questões relacionadas com a visão de percurso profissional que podem já não se adequar à realidade de hoje. Esse percurso pode passar por mudanças de áreas de responsabilidades, porque no fundo o que interessa é a aquisição de competências que ajudem a atingir a tal ambição. Faço um alerta: não há tantos cargos em termos verticais e, por vezes, para atingir um determinado objetivo, é preciso fazer algumas mudanças laterais, algumas mudanças de área, para adquirir competências importantes para atingir o propósito final.”

“Quando falamos da nossa vida profissional”, Brito Ribeiro (BR) pensa “que é um caminho, que vamos fazendo. “Com 43 anos de experiência como gestor de pessoas e em otimização de processos organizacionais, na CUF, na Sociedade Nacional de Sabões, na ANA, na Nutrinveste/Sovena Group, na Sociedade Ponto Verde e iBET, sobretudo em Portugal e Espanha, Brito Ribeiro explica: “é uma caminhada de um ponto A para um ponto B. O ponto A pode ser diferente do que muitas vezes sonhámos, por força das circunstâncias. No momento X, eu estava naquele local onde surgiu uma determinada oportunidade, que por acaso não era bem aquilo que eu sonhara que seria, mas entendi agarrar essa oportunidade. Naturalmente que nessa caminhada vou encontrando encruzilhadas e, às vezes, tenho de fazer opções. Preciso de um preparador físico para me ajudar a criar mais músculo de modo a continuar essa caminhada ou não preciso. E vou ter a um ponto B. O ponto B, à partida, é eu querer ter sucesso, querer realizar determinado tipo de objetivos.”

Para José Manuel Seixo (JMS) “são os resultados que se obtêm, as realizações que se conseguem, os projetos e as organizações que integramos, as coisas que fazemos bem, aquelas que fazemos menos bem, porque nos ajudam a crescer. No fundo, é construir uma história.” O percurso é tudo, José Manuel Seixo, que ao longo de mais de quarenta anos de percurso profissional, acumulou uma experiência significativa em grandes empresas portuguesas e multinacionais de diferentes setores. EDP e SIC, foram organizações onde desempenhou diferentes posições na área de RH para depois assumir as Direções de RH no Grupo PepsiCo Portugal e no Grupo Dia Portugal durante mais de vinte anos.

Filipe Fidanza (FF) concorda inteiramente com um aspeto de evolução. Foi Manager na Colgate Palmolive, e Managing Director na Numico. Atualmente na Work Shop, associa visão estratégica com empreendedorismo em orientação de carreira. “Por vezes, a evolução é para cima, um bocadinho para o lado, para trás e as coisas funcionam mesmo dessa forma. No final do dia, vejo a lógica do próprio percurso muito mais numa lógica de ciclo de vida. Aprendemos um conjunto bastante grande de novas capacidades que nos vão permitir, mais cedo ou mais tarde, avançar com competências técnicas.”


Como potenciar este percurso profissional?

MB: “Hoje em dia há cada vez mais estudos que indicam que a felicidade tem muita importância mesmo em termos de saúde e, portanto, acho que uma das coisas importantes é definir bem o que é que nós gostamos de fazer. O que é que é importante para nós. Quais são os valores que nos regem. Nas escolhas profissionais, isso vai ser determinante. Há pessoas que fazem opções de carreira em alturas que não são as mais adequadas e depois são altamente infelizes. Penso que um dos ingredientes importantes para potenciar, é ter bem a noção em cada momento da nossa vida…porque os momentos são diferentes. Eu, se calhar, numa fase inicial, sou uma pessoa que entro numa empresa, tenho uma disponibilidade enorme para trabalhar variadíssimas horas por dia, mas depois vou constituir família, quero também outros papéis, ou tenho outras responsabilidades sociais. Portanto, ter a noção do que vou fazer em termos de potenciar a minha carreira, tem de ser compatível com a pessoa que eu quero ser, com os valores que eu quero ter.
Curiosidade e insatisfação e não esquecer (outro dos ingredientes que eu tenho visto muito nas empresas) do networking. Tudo é efémero. Pessoas que têm cargos ótimos não podem conformar-se com esses cargos. Temos de ser pessoas para além dos cargos que temos.”

BR: “Aquilo que queremos ser e o que somos como pessoa tem de ser a nossa marca principal. Em tudo o que fazemos e para muitos dos desafios que no dia a dia se nos deparam e com os quais somos confrontados com decisões e soluções para determinado tipo de problemas muito complexos, nomeadamente da perspetiva humana, se não tivermos muito claros os valores que queremos perfilhar e se não soubermos tomar a decisão daquilo que não fazemos. Porque decidir aquilo que não queremos fazer é muito importante.
Acho que na vida nós aprendemos a gostar. E também aprendemos a ser felizes – a estar equilibrado nas minhas necessidades. Eu sou feliz se tiver a minha retaguarda bem estruturada, a apoiar-me. Eu, se tive sucesso, ou algum sucesso na vida, se calhar 99 % desse sucesso devo à minha mulher, pela maneira como me libertou de um conjunto de responsabilidades. Acho que a felicidade se constrói no dia a dia e na tal caminhada a que eu continuo a chamar, o caminho da vida. E onde temos altos e baixos, onde apanhamos silvas que nos fazem feridas, mas onde também apanhamos e nos cruzamos com situações que nos enchem por completo o nosso reservatório da qualidade de vida.
Para potenciar o nosso percurso profissional nesta caminhada, acho que é importante, em primeiro lugar, querer. Sou capaz de estar disponível para assumir desafios, porque se quero ter um percurso profissional rico, tenho de ser desafiado.
Potenciar tem também muito a ver com aprender e resolver problemas.”

JMS: “O meu conceito de percurso profissional potencia-se com investimento, com paixão, com uma aprendizagem permanente. Isto é como nas relações. Aquela fase da paixão e da aprendizagem é sempre a mais apelativa. Há que potenciar e nunca nos deixarmos estagnar, nunca esclerosar por falta de desafio, porque às tantas começa a ser um tédio muito grande, inevitavelmente vai gerar infelicidade, desconforto, etc., que se estende depois para a nossa vida pessoal. Há que estar atentos, há que nos conhecermos bem e, se tivermos hipótese, há que, em determinados momentos, ir à procura de uma nova paixão, de um novo período de aprendizagem e reencontrar a felicidade.”

FF: “Nós, como profissionais, apresentamo-nos ao mercado de trabalho com competências. Resta saber se as temos certas para uma determinada função ou não. Como é que o podemos potenciar? Uma parte de competências técnicas adquirimos na escola, na faculdade, em formações, no MBA, ou seja onde for, que provavelmente não servem de muito se não conseguirmos ter competências aplicacionais as quais, no final do dia, acabam por ser essas que nos valorizam e as que nos vão diferenciar por tudo aquilo que nós fazemos na vida e agora já numa lógica de realizações. Depois, podíamos passar para a produtividade e para uma série de outros conceitos.”

Eduarda Luna Pais acrescentou a ideia de que “a pessoa deve, dentro do possível, sentir que tem o controlo quase total sobre o seu percurso profissional. Acho que quando a pessoa perde esse controlo, é um barco que anda à deriva e aí é mais difícil depois retomar o rumo. Por isso, para além de todos os excelentes contributos, para potenciarmos verdadeiramente aquilo que queremos ser durante o nosso percurso profissional, é importante termos a noção de que deveremos ter o leme e não deixar que saia muito daquilo que nós delineámos para nós próprios.”


A sessão prosseguiu com uma reflexão mais aprofundada sobre a criação da marca pessoal, como gerir com o fator idade/experiência num mercado competitivo e com um dabate estendido aos participantes presentes em sala.



Escrito por: Cláudia Dias (AESE)